Mostrando postagens com marcador Gêneros textuais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gêneros textuais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nunca pus os pés em uma academia, não sou adepto de suplementos, nem se quer fiz a dieta da lua, do tomate, da maçã....


Tenho o hábito de assistir tevê, escutar rádio e ler jornais e revistas. Sempre percebi a atenção dada por esses meios de comunicação à construção de um corpo esteticamente ‘perfeito’. No auge dos meus 75 Kg, excesso de células adiposas e gordura localizada, nunca pus os pés em uma academia de ginástica, não sou adepto de suplementos, nem se quer fiz a dieta da lua, do tomate, da maçã ou da sopa e muito menos faço parte da geração perca 10 Kg em um mês.
 


 
Mas essa não é a realidade em que vivemos, por isso posso me orgulhar de dizer que sou uma exceção a regra. Pessoas saudáveis com o IMC em dia e com o humor estável, de um dia para o outro tornam-se completamente neuróticas ao abrir uma revista e ver um modelo todo trabalhado no photoshop com aqueles músculos torneados e as globais com a famosa cinturinha de pilão. Tanto a mídia quanto à publicidade faz isso de modo bem sutil, sem se quer que você perceba que tudo aquilo foi planejado para que a sua pessoa sinta culpa, mas muita culpa se a sua calça não couber mais na sua cintura! Vivemos numa ditadura da beleza em que as pessoas vivem em meio à insegurança, medo e angústia.

O que essa cultura dissemina é que se você é uma pessoa um pouco acima do peso, meio feio ou coisa do gênero dificilmente conseguirá um emprego que não seja atrás de um balcão e muito provavelmente não conseguirá ficar com a garota ou o garoto x ou y. E devido a tudo isso a sociedade cria um perfil de uma pessoa perfeita (o que não existe), vive-se em um lugar onde as mulheres precisam ser longilíneas e trabalhadas nas curvas, quase uma Barbie e onde os homens não podem faltar se quer um dia a academia, pois seu melhor amigo nunca foi o cão e sim o professor de educação física do ginásio 100% adepto do ADE.

O mau do século é a idade dos trinta: as mulheres são as que mais sofrem com tudo isso, o medo do aparecimento dos primeiros fios brancos, as celulites se intensificam cada vez mais sem falar nas rugas. A mulher começa a rejeitar o próprio corpo, sonha em ter quinze aninhos de novo e recorre a cirurgias plásticas produtos de beleza e dietéticos e sente-se culpada por ter envelhecido e por sua pele não ser mais a mesma. Pura ilusão!! A idade chega para todos independente do físico que se tenha.

Muita hipocrisia acreditar que você vai a uma academia de ginástica por uma questão de saúde, vai fazer uma dieta para ficar em dia com o seu médico, não se iluda: o pior cego é aquele que não quer enxergar, já dizem os clichês. Você faz tudo isso porque a mídia dita os padrões de beleza de uma sociedade totalmente incapaz de ter um bom relacionamento com o espelho. Não acredite em nada do que eles dizem, você é lindo mesmo que a tevê não diga!
 
Texto produzido por Paulo Roberto, aluno do IFBA (campus Salvador).

domingo, 2 de setembro de 2012

A MELHOR IDADE

Depois de viver longos anos, será que os idosos continuam sendo felizes? Os cuidados que tiveram para com os seus filhos, hoje são reconhecidos ou retribuídos?

                                                    Por Ana Paula Marques, Bianca Souto e Caroline Farias

Muitas vezes, ouve-se falar, em reportagens e noticiários, fatos de abandono e maus tratos contra idosos. Segundo os especialistas, a falta de bom senso e compreensão faz com que filhos e parentes acabem por realizar tais atrocidades. Sem ter para onde ir, vários acabam indo parar em lares de idosos, organizações que acolhem e cuidam para que essa situação se amenize . Esse é o caso do Lar de Idosos Santa Bárbara, localizado na ladeira da Soledade, em frente ao Colégio Soledade, ao lado do Instituto de cegos e surdos da Bahia, que abrigando 13 idosos, muitos deles com problemas psicológicos, passa por muita dificuldade para manter-se em funcionamento.
Essa instituição foi fundada em 2002, a partir de uma indenização de trabalho recebido por um dos fundadores do abrigo. Com o dinheiro em mãos e com o apoio da família, resolveu investir em um trabalho social bastante gratificante, em um terreno alugado, com custo mensal de R$ 1.400. A princípio, eram apenas dois idosos e depois, com as indicações de outros lares, a família foi crescendo até chegar ao número que tem hoje.
Apesar das dificuldades, o abrigo responsabiliza-se por tudo. “Pegue um idoso que não tem beneficio, que não tem recurso e que não tem família, e aqui ele vai ser por conta da gente, a casa tem que arcar com tudo”, diz Cristina uma das responsáveis do abrigo. Além disso, os três funcionários ainda têm que lidar, muitas vezes, com o descaso por parte das famílias dos seus pacientes: “Tem família que vem só para fazer o pagamento, aí paga e vai embora. Tem outros que vem com frequência para visitá-los, mas na maior parte, a família não vem ver, entrega o beneficio (mensalidade) e deixa eles aqui, então somos nós, o Ministério Público e Deus”, completa Cristina.
Cristina, responsável pelo abrigo.
São muitos os idosos que dependem dessa instituição, porém o Ministério Público exigiu que o lar realizasse uma série de reformas para proporcionar um melhor conforto para os pacientes do local, caso contrário poderia correr o risco de ser fechado. Sem ter condições de arcar com tais custos, o abrigo depende de donativos de todas as espécies, desde pisos antiderrapantes, corrimãos, areia, arenoso, cimento, até lençóis e alimentos.

Cabe destacar que a maioria dos idosos do local já passou por diversas dificuldades, como é o caso de Antônio de Jesus, 64 anos, que depois de sofrer um grave acidente que resultou na perda da sua visão, mostra toda a sua força e fé em Deus afirmando: “Estou feliz, estou gostando, estou muito bem, graças a Deus”.
“Não choro, não fico triste, por que meu coração é limpo, mas sou decidido.” 
(Antônio de Jesus , 64 anos)

Há quanto tempo está aqui no abrigo?
Em nome do Senhor Jesus, vim no dia 13 de julho de 2012.
O senhor está aqui por necessidade?
Por necessidade, eu vim por necessidade, precisei vim. Não pude ficar mais ficar sozinho em casa, por que não podia mais cozinhar, não podia mais varrer a casa, nem limpar nada, então a filha do vizinho me trouxe aqui, para eu fazer o tratamento, para conseguir, com fé em Deus, voltar para casa. Eu me virava muito bem, mas depois que fiquei cego, não pude mais fazer nada sozinho. Antes eu costumava sair quatro vezes por semana para ir à igreja.
Como o senhor descreve o tratamento do local? O senhor está feliz?
Estou feliz, estou gostando, estou muito bem, graças a Deus. Fez um mês que eu estou aqui. O tratamento aqui é bom, muito bom mesmo, o tratamento, a cortesia, graças a Deus.
Se o senhor tivesse a possibilidade de voltar para casa, o senhor preferia voltar ou ficar aqui?
Preferia voltar pra casa. Tenho casa graças a Deus, tenho uma casa com quatro cômodos, tenho geladeira, tenho fogão, tenho bujão, tenho guarda-roupa, tenho cama, tenho colchão, tenho sofá, tenho comida dentro de casa, tenho tudo.
O senhor costuma fazer passeios durante o tempo livre que o senhor tem aqui?
Eu só não saio porque não tem com quem sair, mas se eu tivesse, eu sairia. Tem um mês que eu não vou à igreja, mesmo localizada aqui perto, não tem ninguém que me leve. A moça chegou aqui e conversou comigo e disse que vai trazer uma obreira aqui pra me levar três vezes na semana, mas não apareceu ainda. Estou ansioso para que isso aconteça logo.
O senhor recebe visita de algum parente ou amigo?
A família que me colocou aqui vem sempre, só na casa da vizinha são cinco pessoas, ainda vêm mais três amigos que não são de lá. Quando não vem, liga para saber como é que eu estou. É assim, graças a Deus. No conjunto residencial em que eu morava tinha muitos amigos, vários já vieram me visitar, só uma amiga que não veio ainda porque está muito ocupada, Rosana, foi justamente ela que organizou as coisas para que eu viesse para cá, mas a mãe dela já veio. Agora eu tenho cinco sobrinhos que moram em Pernambués, ainda não vieram aqui porque eu estou sem o telefone deles, e eles sem o meu. Tenho 20 anos no comércio, estou sem o telefone do pessoal que trabalhou comigo, todos os amigos meus bacanas mesmo.
Como o senhor avalia a sua saúde?
A responsável pelo abrigo me leva para fazer uma revisão no médico clínico e fazer uma revisão nas vistas. Meus médicos são na Avenida Sete e nos Barris: o da vista é nos Barris e o médico clínico é na Avenida Sete. O problema são os custos. Só para providenciar um exame que fiz no ano passado foi R$ 70,00 reais. Só o colírio é quase R$ 100,00 reais, mas graças a Deus estou muito bem, esperando em Deus para voltar para casa, e voltar a trabalhar de novo.
O senhor possui alguma renda? O que você faz com essa renda?
A gente procura ajudar a instituição com o salário que ganha. A responsável pelo abrigo aqui não tem ajuda da mídia, muita gente promete ajuda, mas não aparece. É Deus, ela e o salário que nós ganhamos.
E o senhor tem alguma preocupação com os seus parentes, com sua saúde?
Não, não me preocupo com nada, entrego tudo nas mãos de Deus. Não choro, não fico triste, porque meu coração é limpo, e sou decidido. Não levo recado para casa, não gosto de falsidade e nem tão pouco de mentira, sim é sim e não é não.
O senhor antes de vim para cá, usava transporte coletivo?
Usava. Havia um rapaz me levava e me trazia. Eu entrava pela frente e ele pelo fundo. Ele me levava para o médico, e também para a igreja. A igreja era perto de casa, tinha muita gente de lá que me levava e me trazia de carro.
Como o senhor era tratado nos ônibus?
Tratavam-me bem, graças a Deus. Quando eu entrava as pessoas levantavam e me davam o lugar. Um dia um rapaz me olhou e falou assim: - rapaz, você é deficiente? - Sou meu filho, foi de repente assim. A gente tem prazer em ver os outros pegando no braço para nos levar quando termina a reunião da igreja, por exemplo.
Foi esse ano mesmo que o senhor ficou deficiente visual?
Não. Fiquei assim depois de cair ácido nos meus olhos, na empresa em que trabalhava antigamente. Eu já estava em tratamento desde 2003 e até hoje continua. Quando foi em 2006 me mandaram para casa e me afastei da empresa em que eu trabalhava no comércio. Doutor Alexandre foi o meu médico por anos e então resolvi trocar de médico. Passei pelas mãos da Dra. Tânia, Dra. Márcia, Dra. Maria Luisa e Dona Maria Barrotide.                               
Com que o senhor trabalhava, antes do acidente?
Eu trabalhei com doze carros, mas não gostava de dirigir, então eu não aprendi a dirigir porque não tive vontade, mas graças a Deus trabalhei 20 anos, só no comércio eu trabalhei dez vezes no comércio: Boa viagem, Baixa do Bonfim, tudo eu trabalhei.
E os jovens te respeitavam?
Respeitavam muito graças a Deus, eu fiz muita amizade, trabalhei em uma repartição, tinha mais de trinta pessoas, e todos me respeitavam, só saí do trabalho para continuar o tratamento da minha visão.
E que mensagem o senhor gostaria de deixar para a sociedade em relação ao tratamento aos idosos e para algumas pessoas que têm medo de ficar abandonado?
Não tenha medo, tenha fé em Deus, primeiramente Deus, faça seus exames, faça o tratamento, consiga o remédio, tenha sempre responsabilidade com a alimentação, comer muita verdura; a dona daqui é enfermeira, cuida da nossa dieta. Então é só se tratar e ter fé em Deus que tudo vai ficar bem. 

Por Ana Paula (15 anos), Caroline (15 anos) e Bianca (16 anos). 
São alunas do curso de Química (IFBA/Salvador).

A batalha por um futuro melhor!

Por que muitas pessoas largam tudo para viver uma nova vida em busca de um futuro melhor? Será que vale a pena? E as grandes dificuldades que são encontradas pela frente?

                                                                                                               Por Daniel Aloísio

Não só nos dias de hoje, mas também antigamente, várias pessoas largavam toda a sua vida em uma cidade tranquila e pequena para se aventurarem em uma grande cidade, geralmente uma capital. Tudo para conseguir apenas uma coisa: um futuro melhor para si ou para seus filhos. Para isso, elas arrumam várias formas de se sustentar e evoluírem na vida. Essas formas variam desde um emprego em uma determinada empresa ao estudo em uma faculdade, curso técnico. Sabe-se que nessa caminhada existem grandes dificuldades, mas que dia a dia são superadas por esses batalhadores da vida real.

Antigamente a situação era bem mais precária. Devido ao pouco avanço tecnológico, não existia celular, internet, enfim, não existiam meios de comunicação acessíveis, e assim, para uma pessoa se comunicar com seus familiares era um grande problema. Hoje já está mais fácil devido a esses avanços tecnológicos que facilitam a comunicação à distância e diminui a saudade, pois não se consegue destruir esse grande aperto que existe no coração.

Carina de Cássia Cambuí Rodrigues, ou mais precisamente, Carina Cambuí, é estudante do Instituto Federal da Bahia (IFBA). Caloura do curso de química, ela tem 15 anos e nasceu e viveu no interior da Bahia, na cidade de Boquira. Carina é um exemplo dessas pessoas batalhadoras que deixaram sua cidade rumo à capital para obter uma vida melhor e não só sofreu como sofre as dificuldades do dia a dia.

Ainda, vou olhar para trás e dizer:
"– É, foi difícil, mas valeu a pena!"
Entrevistador: Como é a sua antiga cidade e como era a vida que você levava lá?
Carina Cambuí: A minha cidade era bem pequena, possui pouco mais de 22.000 habitantes. É uma cidade bem típica do interior, onde todo mundo se conhece. Nela, eu tinha muitos amigos, principalmente verdadeiros, mas lá, infelizmente, não tem muitas opções de diversão. Existe apenas a praça e um clube. Mesmo assim, sinceramente, eu era muito feliz lá!

Entrevistador: Como era a escola em que você estudava?
Carina Cambuí: Minha escola era da rede pública de ensino. Ela era uma escola relativamente pequena, mas nela havia uma grande contradição: em uma mesma sala tinha muitos alunos, na minha, por exemplo, possuía cerca de 40 alunos.  Eu ia a pé para a escola, pois, como já disse, a cidade é bem pequena, assim tudo é perto de tudo.

Entrevistador: Como era a casa em que você morava?
Carina Cambuí: Bom, como a minha cidade, a minha casa era também uma casa típica do interior. Ela é grande pelo fato de que, na verdade, são três casas juntas que utilizam o mesmo quintal. Nessa casa, eu morava com muitos familiares: a minha mãe, meu pai, minha avó, meu irmão, minhas tias e primas. Os outros familiares possuíam suas casas bem perto da nossa.

Entrevistador: Estou percebendo que você gostava muito da
sua cidade, mas, se havia tanto amor assim, por qual motivo você se inscreveu no IFBA e decidiu viver uma vida totalmente diferente?
Carina Cambuí: Eu decidi sair da cidade, primeiro porque minha família me incentivou muito. Eles diziam que o IFBA é muito bom; é uma instituição de altíssima qualidade; diziam que eu iria aprender muito indo estudar lá e diziam também que, principalmente, se eu passasse no processo seletivo, eu podia ter um futuro brilhante, além de várias outras coisas.

Entrevistador: E quando você chegou aqui em Salvador? Como foi?
Carina Cambuí: Bom, primeiramente eu vim para Salvador para fazer o curso de verão, mas eu o frequentei apenas por três dias. Após, eu já vim definitivamente para começar a estudar. Foi aí que as dificuldades começaram a aparecer. No primeiro mês, por exemplo, eu chorava bastante com muitas saudades de tudo: da minha cidade, da minha casa, da família, dos amigos, se bem que na questão dos amigos até que foi um pouco superável pelo fato de eu construir muitas amizades aqui. Não dá para perceber se elas são verdadeiras pelo o tempo de duração e, além disso, eu tenho uma amiga que estudou comigo por sete anos e agora ela está estudando aqui no IFBA também. Mas, mesmo com isso tudo, eu ainda sinto muitas saudades dos meus amigos de Boquira.  

Entrevistador: Você disse que em sua cidade não tinha muitas oportunidades de diversão, já aqui você tem muitas oportunidades de diversão? E você aproveita essas oportunidades?
Carina Cambuí: Sim, com certeza. Aqui existem muitas formas de você se divertir, nem pode se comparar com Boquira. Por exemplo, aqui tem o shopping, a praia, e muitas outras coisas. O melhor de tudo é que eu comigo aproveitar isso tudo com os meus tios.

Entrevistador: Como é o lugar que você morar aqui em Salvador?
Carina Cambuí: Aqui eu tenho a felicidade de morar com familiares, que no caso são meus tios, como eu já disse. A gente mora em um apartamento e é completamente diferente da minha casa em Boquira: Principalmente o espaço da moradia, já que aqui é muito menor e mais fechado.

Entrevistador: Como é a sua atual escola? Qual a diferença para a antiga?
Carina Cambuí: Minha escola é muito grande, espaçosa, possui uma grande estrutura. Possui ótimos professores, ótimas aulas, laboratórios, e uma imensa biblioteca, além de vários lugares para estudar. Enfim, é totalmente diferente da minha antiga escola. O ruim é que existem dois principais problemas: o primeiro é que para ir à escola eu tenho que usar o transporte público, ou seja, ônibus que geralmente estão lotados. Muitas vezes, tenho que ir em pé nesses veículos. Geralmente passo 30 minutos no ônibus, dependendo do trânsito. O segundo problema é que eu senti muitas dificuldades na primeira unidade e até hoje sinto, mas creio que isso vai passar com o tempo. É só uma questão de se acostumar e estudar.

Entrevistador: Enfim, qual foi a maior dificuldade que você sentiu?
Carina Cambuí: Praticamente eu senti dificuldade em tudo, um pouco, mas as maiores dificuldades foram o transporte; a questão da moradia; a privacidade; o dinheiro e muitas outras.

Entrevistador: Você já pensou em desistir de tudo e voltar para sua cidade para levar a vida que levava antes?
Carina Cambuí: Já sim. Várias vezes eu já pensei em desistir, jogar tudo para o alto e ir embora, principalmente nos momentos que eu estou muito triste e começo a chorar de saudades dos meus pais. Mas aí, eu paro e penso que essa é uma chance única; que muitas pessoas queriam estar no meu lugar, e que depois que tudo isso passar, vou olhar para trás e dizer: "valeu a pena!" 

Entrevistador: Qual o conselho que você dá para as pessoas que pensam em fazer a mesma coisa que você?
Carina Cambuí: Bom, se você quer realmente alguma coisa na vida, você tem que correr atrás, pois nada que é bom na vida vem fácil. Vão existir muitas dificuldades no caminho, mas cabe a você ser forte o suficiente para superá-las, pois assim que tudo passar, você vai olhar pra trás e dizer: "É, foi difícil, mas valeu a pena!"

Entrevistador: Daniel Aloísio. 




sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Onde está o valor do trabalho árduo?

Você já notou a importância que os funcionários em geral possuem? A “tia” do pavilhão 7 esclarece  essa questão.
Por Maiara Sousa, Olívia Cristiane e Laíse Caroline.
Imagine você entrando em sua sala de aula e a encontrando toda desarrumada, cadeiras fora do lugar e lixo por toda sala, dando até desgosto de estudar. Então você fica surpreso ao descobrir que não há funcionários e a sua única saída é pegar o pano de chão, a vassoura e mãos à obra! Agora, pense em fazer isso todos os dias... Seria bem cansativo, concorda?
Esse é o papel das “tias”, que além de trabalharem arduamente, não tem o devido reconhecimento, já que seu salário mal dá para o seu sustento. Além disso, tanto estudantes quanto professores não percebem o seu valor. Para os alunos desfrutarem da educação qualificada que o Instituto oferece é imprescindível a atuação desses servidores.
É importante salientar que, pelo fato de os funcionários serem pagos para efetuarem o seu trabalho, não significa que não são dignos de consideração. Se pensarmos nos diversos ídolos brasileiros, veremos que tal qual a “tia” eles também são pagos para fazer seus trabalhos, contudo, são excessivamente valorizados. A diferença é esta: o papel das “tias” é útil para você, entretanto os cantores, por exemplo, não lhes traz nenhum benefício, senão momentos prazerosos.
A “tia” do pavilhão 7, que trabalha há 13 anos no Instituto Federal da Bahia, é a nossa entrevistada. Vejamos o quanto ela tem a nos ensinar. 
Qual a sua idade? Afinal, como é seu nome?
Eu tenho 52 anos e meu nome é Lenice Maria de Souza.
O que te levou a trabalhar aqui?
O desemprego e a falta de oportunidades me levaram a aceitar essa profissão.
A senhora se sente bem trabalhando aqui? Os alunos te respeitam? Comente.
Eu me sinto bem. Os alunos me respeitam na medida do possível, mas sempre existem aqueles com falta de educação, porém aprendi a conviver com isso. Os estudantes precisam seguir as regras. Por exemplo, não é permitido entrar na sala com lanche, entretanto a maioria não respeita e isso acaba gerando confusões. Já aconteceu um caso em que uma  jovem derramou suco na sala e só porque a funcionária, sem grosseria, comentou, ela a insultou afirmando que era a sua obrigação limpar. É preciso ter um sistema mais rígido, pois as regras existem, porém não são cumpridas. Comigo não aconteceu nada parecido, a não ser algumas vezes em que alguns passam por mim e não dão nem um bom dia; outros não entendem quando peço para sair da sala para limpá-la. Contudo, não tenho do que me queixar, eu os respeito e eles me respeitam também, do jeito deles...
Como a senhora descreve sua importância aqui no IFBA?
Eu acredito que aqui no IFBA eu não tenha tanta importância e sim no meu setor, meu serviço. Afinal, eu sou terceirizada, a relação é entre o IFBA e empresa da qual faço parte. Minha relação é diretamente com ela. E eu acho que o Instituto dá importância ao meu trabalho, pois se não eu já teria sido trocada e, além disso, ele paga bem a minha empresa.
Como seria o IFBA sem as suas funções?
Eu acho que ficaria difícil para os próprios alunos, pois eles teriam que chegar e arrumar a sala. Sem a mão de obra da limpeza não teria como estudar, já que para haver educação é necessário higiene, limpeza e organização.
A senhora tem filhos? Eles estudam aqui?
Sim, tenho uma filha e ela não estuda aqui, pois já concluiu o ensino médio. Fez curso de enfermagem e hoje trabalha. Na verdade, ela nunca quis estudar aqui, até porque é mais um ano; é cansativo e eu a deixei escolher.
Por ter uma filha jovem, a senhora acha que isso facilita sua relação com os jovens daqui do IFBA?
Não muito. Porque cada um tem seu modo diferente de ser. O jeito como eu trato minha filha é algo mais íntimo, já os estudantes daqui eu trato com educação também, mas não é a mesma coisa.
O seu salário é proporcional ao seu trabalho?
Não. Porque o meu trabalho aqui no pavilhão é cansativo e creio que o salário deveria ser melhor. Mas, na maioria dos casos os funcionários em geral, não ganham muito bem.
O que é mais vantajoso: ser funcionário público ou terceirizado?
Ser funcionário público é melhor porque possui maior estabilidade e maior salário. Já o terceirizado, não tem muitas vantagens, já que você pode perder o seu emprego, sendo trocado e o salário é menor. De qualquer forma, estou empregada e isso é mais importante.


Quais critérios a empresa leva para trocar os funcionários?
A pontualidade, quantidade de atestados médicos, enfim, a responsabilidade. Nunca vi uma pessoa que segue esses critérios ser trocada, contudo a empresa sempre vai buscar o melhor, por isso existe essa troca.
O que a senhora seria se não fosse funcionária?
Eu já trabalhei de caixa e empacotadora e gostaria de outras oportunidades como estas. Porém, que seja algo onde eu tenha experiência porque não é agradável nem correto ter um emprego no qual haja dificuldades em efetuá-lo. Confesso que tenho o sonho de terminar os meus estudos, pois nunca é tarde para estudar e é assim que se exerce funções qualificadas e oportunas. Só que o meu tempo é curto e não permite que eu estude.
Como é o seu convívio com os outros funcionários?
Procuro manter uma relação profissional, porque existe sempre inveja por parte de alguns. Então, por essas questões é bom ser prudente, principalmente pela questão da troca de funcionários.
Quando a senhora se aposentar vai sentir saudade do seu trabalho?
Não, mas sentirei falta de alguns alunos; de acordar cedo, essas coisas. E aposentada poderei descansar e terei mais tempo livre.    Então, espero muito por isso, é um dos meus sonhos.
Qual a sua relação com os professores?
A maioria deles são educados, mais existem alguns que não tem consideração e muitos alunos veem isso. Para o professor que é um educador, usar educação é fundamental. 
As autoras dessa entrevista são alunas do IFBA, campus Salvador (Química).

Da esquerda para a direita:
Laíse Caroline, 
  Olívia Cristiane  e Maiara Sousa.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

La Gioconda em pixels... Quando Mona Lisa fugiu de sua tela a óleo

Se Da Vinci vivesse no século XXI, certamente jogaria os pincéis para cima, pediria mouse, Illustrator e um pacote de Doritos.
O jovem artista Artur Prudente tem certeza que sim!

Por Moranguinho do Nordeste
 
Renascentistas, cubistas, impressionistas, expressionistas, modernistas, istas, istas e istas... A arte não é independente, se molda ao local, ao tempo e à ideologia da época. Neste século, marcado por avanços tecnológicos, não é diferente. As obras fugiram das telas convencionais e encontraram refúgio nos monitores dos pc’s de artistas gigamodernos, como o Artur.
Artur Prudente (16 anos) é aluno da School of art game and animation (Escola de arte, jogo e animação), a Saga, que possui uma unidade aqui em Salvador. Ele e muitos outros jovens, que despertaram o interesse pelas artes visuais, buscam trabalhar com vídeo, propaganda e principalmente jogos e animações, que deixaram para trás seus antepassados quadrados e 2d, graças a artistas dedicados como ele.
Pruda, como é chamado o Artur, nos contou como uniu o pincel e o mouse... 
"Não desistam, mesmo que achem que isso não tem futuro"!
Quando você começou a tomar gosto por arte? 
Quando eu tinha 9 anos e comecei pintar... Eu vi uma placa de aula de pintura ao lado da minha casa. Deu vontade, pedi para o meu pai, comecei e não parei mais.

Quem te incentivou a tornar o hobby de infância mais sério? E como você deu o primeiro passo para tal? Eu simplesmente comecei a melhorar e perceber que a pintura ainda era muito maior do que eu pensava e que eu realmente gostava de tudo que eu fazia. Aprendi muito, até que chegou uma hora em que não tinha nada mais que eu quisesse fazer seriamente, além disso.
 
Quando e como você começou a trabalhar com arte utilizando o computador?  
Parecia legal a ideia de trabalhar nessa área. Quando eu conheci e entrei na SAGA, comecei a lidar com Photoshop e pintura digital e conversei com os professores e pessoas que trabalhavam com isso também.
Como foi a troca do pincel pelo mouse?  
 
Para se trabalhar com o mouse não é difícil, só quando se faz pintura digital, em que você usa as tablets, em que você mexe nos programas usando algo parecido com uma caneta.
 
O que você aprendeu/aprende na SAGA?
 
Design gráfico, computação gráfica em geral, publicidade... Aprendi a, por exemplo, modelar, texturizar e animar em 3d, a utilizar dois programas diferentes de edição de vídeos. Além de muitos outros programas (Photoshop, Ilustrator, Maya...), mas sem muita profundidade. Se quiser se especializar em algum o aluno faz isso sozinho.
 
 
Você já ganhou alguma grana com isso?
 Já fiz um estágio em pintura digital que me deu bastante dinheiro.

Você falou que chegou um momento em que não tinha nada mais que quisesse fazer seriamente além de trabalhar com artes visuais. Que plano você tem para o futuro em relação a isso? Tem alguma empresa na qual queira trabalhar? Quer cursar alguma faculdade?
 
Para o futuro eu planejo fazer Belas artes e alguns cursos profissionalizantes fora do país. Tenho alguns projetos, mas eles envolvem aprender ainda mais coisas que serão úteis somente quando eu estiver trabalhando. Gostaria muito de trabalhar na Blizzar, que é uma empresa de jogos, ou no estúdio Ghibli que é um estúdio de animação.
 
Para finalizar: Que conselho você deixaria para os jovens que querem, como você, trabalhar com artes visuais?
Não desistam, mesmo que achem que isso não tem "futuro"! 


Glossário:
La Gioconda: Outro nome dado à Mona Lisa de Da Vinci.
Illustrator: Programa de computador que permite criar e editar imagens.
Doritos: Salgadinho de tortilla que foi lançado em 1964 no mercado norte-americano pela Alex Foods, com formato triangular e crocante, cujo sabor mais popular é o de que queijo nacho (Nacho Cheesier) - um queridinho dos adolescentes.

Sobre a SAGA (School of art game and animation): http://www.saga.art.br/

A entrevista com Artur foi realizada por Larissa Pereira, Lorena Brito e Sabrina Bomfim, alunas do 1º ano do Ensino Médio (Química/IFBA).  


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Entrevista com ACM Neto

                                                         Será o retorno do Carlismo?

Para os jovens eleitores, quem realmente é ACM Neto? Será que é apenas o reflexo do avô? O candidato à Prefeitura de Salvador vai além desse parâmetro.
 
                                           Por Débora Oliveira, Elizabete Araujo e Kamilla Carvalho 

Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, herdeiro de uma das mais tradicionais famílias políticas do país, está no terceiro mandato como Deputado Federal e tem conseguido aprovar muitos projetos em prol da Bahia. Apesar de ser neto do falecido Antonio Carlos Magalhães (ACM), uma das figuras baianas mais importantes da esfera política, ele tem mostrado uma campanha nova, distanciando-se do “carlismo”.  Aos 33 anos, disputa pela segunda vez a candidatura à Prefeitura de Salvador.
A sua campanha política em 2012 é baseada nos seguintes aspectos: criar um centro de advocacia voltado para mulheres vítimas de violência doméstica; planejar uma educação em tempo integral, além de requalificar o grande potencial da nossa cidade, o turismo, dentre outros. Com essas propostas, ACM Neto parece estar agradando a população de Salvador, já que aparece em primeiro lugar na pesquisa de intenção de votos.
 
 
“Não podemos deixar que o único legado da Copa seja
um estádio construído pela iniciativa privada.”
O que levou o senhor a seguir a carreira política?
A política está no meu sangue. Desde muito cedo, participo das campanhas de meu avô, do meu tio e de outros políticos. Além disso, tem a vocação natural. Poderia ter optado por seguir carreira no Direito ou no setor empresarial, mas o que gosto de fazer mesmo é servir na vida pública.
 
Quando era estudante do Ensino Médio, foi integrante de algum grêmio? Se sim, como essa participação ajudou-o a decidir pela política?
Fui sim. Também fui síndico mirim do meu prédio. Ou seja, sempre gostei de participar  desses movimentos.
 
Como sua formação em Direito ajuda na vida política?
O Direito me ajuda muito no Congresso, onde a gente tem que estudar e saber muito sobre a Constituição, as leis e o Regimento Interno.

O que te levou a abandonar o cargo de Deputado federal para ser candidato à prefeitura de Salvador?
Não abandonei o cargo. Continuo deputado e líder do Democratas. Optei por ser candidato porque quero trabalhar para resgatar a autoestima da nossa cidade. Estou preparado para isso.
 
A sua escolha como candidato do DEM causou muitos rumores. A mídia, por exemplo, sugeriu que sua candidatura foi imposta, isso é verídico?           
Só se foi imposta pela vontade popular. A minha candidatura nasceu nas ruas de Salvador. Não foi de vontade própria ou imposta por nenhum partido. De modo que isso mais parece choro de quem está mais preocupado em fazer politicagem.  
O que diferencia o senhor dos outros candidatos?
 
Eu acredito que Salvador pode voltar a andar com as próprias pernas, resgatando sua capacidade de investimento e planejamento do futuro. Ao contrário dos meus adversários, eu apresentei um plano de governo com esse objetivo.
 
No cenário atual, o grande desgaste de Jaques Wagner e de Nelson Pelegrino,
devido às greves, realmente favorece a sua candidatura?
 
Nunca, em momento algum, a gente tirou proveito político da greve, como fazia o PT no passado. A gente faz política de outra forma. No entanto, acredito que o movimento contribuiu para o desgaste do PT sim.  
Na sua campanha política, o senhor tem dado enfoque às mulheres, escolhendo uma representante feminina como vice. Conte-nos sobre o seu projeto de criar um Centro de advocacia voltado às mulheres vítimas de violência doméstica.
Esse centro vai funcionar em convênio com entidades como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil. Ele é prioridade em nosso plano de governo. Além disso, também vamos construir uma maternidade no Subúrbio e implantar programas de capacitação profissional voltados para as mulheres.
 
Quais as suas propostas para a educação? E como se contrapõem ao descaso em que se encontra a educação soteropolitana?
Vejo um descaso no âmbito estadual. Em Salvador, temos problemas, mas houve avanços. Hoje, tem professor da rede municipal em Salvador ganhando quase R$10 mil. Todo mundo reconhece isso, inclusive o PT já o fez de público. A Secretaria Municipal da Educação, ao contrário do governo do estado, concedeu o reajuste de 22,22% e tem honrado os compromissos com a categoria. Agora, claro que precisamos avançar muito, inclusive na melhoria das condições físicas das escolas. A escola precisa ser voltada para toda comunidade, e não apenas para os alunos, e tem que ser em tempo integral. Nós vamos implantar Centros de Educação Integral inicialmente em Cajazeiras e no Subúrbio, além de aumentar o tempo de aula em toda rede em uma hora.
 
Sabemos que Salvador vive também do turismo, no entanto, presenciamos, nos últimos anos, o descaso dos governantes com centros turísticos importantes para a economia soteropolitana. Prova disso, é o abandono em que se encontra o Pelourinho. Quais os seus projetos, caso seja eleito, para a área de turismo em Salvador?
A grande indústria de Salvador é a do turismo. Essa é a vocação da nossa cidade. Por isso, vamos requalificar o Centro Antigo da cidade, que vai ganhar dois museus, o da Música e da Baianidade; e a orla, que precisa de novos investimentos do setor privado, e vai ganhar com incentivos fiscais. Além disso, na orla vamos ampliar calçadões e organizar o comércio informal. Queremos também estimular o primeiro emprego de jovens com cursos de qualificação voltados para o setor turístico. Temos uma Copa do Mundo se aproximando e essa é uma oportunidade única para a cidade. Não podemos deixar que o único legado da Copa seja um estádio construído pela iniciativa privada.
 
Da esquerda para a direita: Elizabete (15 anos), Débora (15 anos)
e Kamilla (14 anos).

P.S.: Este Blog possui um cunho estritamente educacional. A entrevista, aqui exposta, foi realizada na disciplina de Língua Portuguesa, sob a orientação da Profa. Msc. Solange Santana. Além da produção textual contextualizada e significativa, objetiva-se promover o senso crítico dos jovens educandos.